
Ter como orientação apenas um encontro com o analista causa estranhamento e inquietação em relação ao cuidado com a pessoa escutada: um encontro não poderia ser muito “selvagem”? Isso entraria em desacordo com a recomendação de “prudência” com os conceitos teóricos e a interpretação?
Essas questões são pertinentes, e nos colocam sempre diante do desafio de localizar a posição do analista, em um cálculo permanente de suas intervenções. Um só encontro convoca, de maneira mais incisiva, a necessidade de uma escuta afiada e de uma ética decidida.
A noção do analista como aquele que segue o sujeito ajuda a nos orientar: o analista está ali como presença, como parceiro que pode apontar e localizar tanto os pontos de gozo quanto as soluções já encontradas pelo sujeito. Um efeito de “viravolta” muitas vezes ocorre não por uma grande interpretação do analista, mas pelo gesto sutil de fazer o sujeito escutar aquilo que ele mesmo já inventou e ainda não percebeu – recebendo do analista sua própria mensagem numa forma invertida −, seja uma invenção que não está funcionando mais, seja uma invenção que o ajuda a alojar o gozo e a tratar o Outro.
Isso se evidencia na resposta de um sujeito à pontuação do analista no Viravolta:
― Pelo o que você está falando, na adolescência isso era vivido de uma forma diferente…
― (surpreso) Realmente… na adolescência isso não me afetava tanto, talvez eu possa aprender com esse meu jeito de fazer que eu esqueci.

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